Manuel Noriega é uma das figuras mais controversas da história panamenha. Durante muitos anos, ele governou o país com mão de ferro, sendo conhecido por suas políticas autoritárias e seu estilo extravagante. Mas ao mesmo tempo, ele também foi adorado por muitos seguidores que o chamavam de o favorito de Deus. Mas quem foi realmente Noriega? Que segredos e controvérsias cercam sua vida e seu governo? Neste artigo, vamos descobrir mais sobre essa figura icônica da história política panamenha.

Para entender a trajetória de Noriega, é preciso voltar no tempo e conhecer um pouco da história do Panamá. Durante muitos anos, o país esteve sob o controle dos Estados Unidos, que usavam o Canal do Panamá como parte de seu sistema de transporte marítimo. Mas em 1968, um golpe militar liderado pelo general Omar Torrijos colocou fim ao regime americano. Torrijos, que era um nacionalista fervoroso, implementou políticas sociais e econômicas para melhorar a vida da população panamenha e fortalecer o país como uma nação independente. Ele também se aproximou de líderes de outros países latino-americanos, como Fidel Castro em Cuba, e rejeitou o domínio americano na região.

Noriega, que era um oficial do exército e amigo de Torrijos, se tornou uma figura poderosa dentro do governo militar. Ele comandou a inteligência e a segurança do país, e ganhou a alcunha de Mister Tapioca devido a sua aparência corpulenta. Mas apesar de suas funções militares, Noriega também mantinha um forte envolvimento com grupos criminosos e de tráfico de drogas, o que lhe rendeu uma série de acusações internacionais.

Quando Torrijos morreu num misterioso acidente de avião em 1981, Noriega assumiu de vez o controle do Panamá. Ele se tornou o comandante do exército e o chefe de governo, e governou o país com punho de ferro. Noriega implementou políticas autoritárias e reprimiu qualquer tipo de oposição política. Ele também intensificou sua relação com os traficantes de drogas, recebendo milhões de dólares em propina para permitir a passagem de drogas pelo país.

Mas apesar de sua brutalidade, Noriega também tinha uma legião de seguidores que o idolatravam. Ele se apresentava como um líder carismático e religioso, e muitas vezes se classificava como sendo o favorito de Deus. Noriega frequentava missas e fazia doações às igrejas, e se vestia com roupas extravagantes e jóias de ouro. Ele também investia em programas sociais e de saúde que eram populares entre as camadas mais pobres da população.

A relação entre Noriega e os Estados Unidos se deteriorou rapidamente durante seus anos de governo. Os americanos não toleravam a relação de Noriega com os traficantes de drogas e as acusações de violações dos direitos humanos. Em 1989, os Estados Unidos iniciaram uma invasão militar no Panamá para tirar Noriega do poder. Ele foi capturado e condenado a 40 anos de prisão nos Estados Unidos.

Mas mesmo depois de sua queda, Noriega se manteve como uma figura icônica na história panamenha. Ele continuou a ser considerado um líder carismático e controverso, e muitas pessoas até hoje o vêem como um herói nacional que lutou contra o domínio americano. Noriega faleceu em 2017, deixando para trás um legado complexo e polêmico.

Em resumo, Noriega foi uma das figuras mais controversas da política panamenha. Seu governo foi marcado pela brutalidade, pelo tráfico de drogas e pela repressão da oposição política. Mas ele também foi adorado por muitos seguidores que o viam como um líder religioso e carismático. O legado de Noriega continua a ser debatido até hoje, com pessoas com opiniões diversas sobre sua contribuição para a história do Panamá.